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Versão gravada de cristiansubtil para o Youtube
Vídeo Book do Ator Cristian Mazzetti Direção de Dimas de Oliveira Junior
Câmera: Joe Franco Edição/Finalização: Jefferson Cardoso
Entrevista
de Emprego
(Monólogo de Humor – 5 MINUTOS APROX.)
© VICTOR M. SANT’ANNA 2006
Resumo: Um personagem entra em uma sala onde uma entrevista de emprego deveria ter sido feita com ele, insistindo em ficar com uma vaga.
O personagem espia por uma porta, dá umas batidinhas (“toc-toc”) e vai entrando bastante submisso e humilde.
Candidato
Olá! Desculpe ir entrando assim... A sua secretária teve um probleminha e eu fui entrando... Lá de fora parecia que o senhor tinha gritado "Dona Vilma, mande o resto embora e me traga uma empada e um guardanapo", mas tenho certeza que o senhor estava dizendo “Dona Vilma, está na hora da entrada do próximo candidato"!
O personagem se aproxima de onde estaria uma mesa com o “chefe” que está fazendo entrevistas para uma vaga de emprego
Candidato
Por favor, eu estou aqui para... A vaga era para secretária bilíngüe?
O personagem bota a língua para fora e a sacode como uma cobra (pode ser olhando para o “chefe” ou para o público).
Candidato
Eu sei, o anúncio dizia, "jovem solteira de boa aparência curso superior, experiência e bilíngüe" Vamos por partes! Eu acho que me enquadro! Pode não parecer, mas eu tenho qualificações!
O personagem tira um pedaço de jornal do bolso e o lê
Candidato
Olha só: "jovem solteira de boa aparência curso superior, experiência e bilíngüe"... Primeiro: "jovem". Eu sei que não sou jovem... Pensando melhor vamos pular isso... Bom... Também não sou solteiro... E, como dá para ver, nem tenho boa aparência... Mas, “curso superior”: meu curso era superior... Acho... Olha, eu não sei se era superior ou não... Agora fiquei na dúvida, eu não quero mentir pro senhor, esses cursos pela internet, esqueci de perguntar, e... Mas vamos ver o resto, quem sabe eu não supero as outras candidatas. Com tanta exigência, em alguma eu vou ser melhor que as outras!
O personagem pega o jornal e lê baixo e rápido até achar a parte onde tinha parado.
Candidato
"jovem solteira de boa aparência curso superior, experiência..."
Experiência! Que tipo de experiência? Eu tenho muita experiência! Já fiquei tanto tempo em fila de espera, “chá de banco”, entrevista de emprego... São anos de experiências terríveis... Olhando a cara de tonta das secretárias! São umas falsas... O senhor não queira saber como elas falam mal de seus chefes! Ah, mas deve ser engano... Aqui pede jovem e com experiência... Como pode alguém ser jovem e ter experiência? Ou se é jovem ou se tem experiência... Que exigência mais sem cabimento... Chega a ser um paradoxo!
O personagem de novo pega o jornal e lê baixo até onde tinha parado.
Candidato
Bilingüe... O bilingüe eu não entendi... Duas línguas? Como assim? O senhor quer uma aleijada? É vaga pra deficiente?
Ah, mulher? Tem de ser mulher? Aqui não diz nada... É, tem razão: “solteira” está no feminino! Mas podia ser erro tipográfico, olha só, vou mostrar pro senhor:
O personagem pega o jornal e finge que está lendo, destacando bem a palavra “solteiro”.
Candidato
"Jovem, solteiro de boa aparência curso superior, experiência e bilíngüe"... Ah, tá! Vai me recusar por causa de uma única letrinha? O senhor precisa tanto assim de uma mulher?
O personagem começa a rebolar e andar de forma sensual pela sala.
Candidato
Mas o senhor não sabe o que eu faço por esse emprego!
O personagem tenta fazer caretas, numa tentativa de parecer sensual.
Candidato
O senhor há de concordar que é só um detalhe... Além disso, quem disse que uma operaçãozinha não está nos meus planos, hein? Posso sentar no seu colo, meu leãozinho?
O personagem altera o tom como estivesse sendo repreendido.
Candidato
Calma não fique nervosa! Já parei! Puxa... Mas precisa ser mulher mesmo? Sempre pedem "ambos os sexos"...
O personagem começa a falar com o público
Candidato
Aliás, como pode ser isso? Ninguém tem ambos os sexos.. só os hermafroditas! Por isso o desemprego não diminui nesse país! Só oferecem emprego para quem tem ambos os sexos!
O personagem começa a falar novamente com o “chefe”
Candidato
Nada disso, pode desligar esse telefone! Não adianta chamar a secretária, parece que ela bateu com a cabeça na mesa e desmaiou... Como foi isso? Se eu te contar quem foi eu fico com o emprego?
O personagem começa a ficar nervoso e suplicante diante da possibilidade de ser expulso da sala.
Candidato
Não por favor! Não chame os seguranças! Eu preciso desse emprego! Eu tenho três filhos e um quarto! Preciso muito desse emprego! Eu sei que aqui tem vaga para deficientes... Eu posso trabalhar aqui! Eu tenho AIDS! Eu já fui tetraplégico! Por favor, me dá uma chance! Eu sei fazer biscoito caseiro! Tenho três filhos... Minha mulher espera um quarto... Eu estou desesperado! Minha empregada não recebe há três meses! Minha faxineira não quer aceitar fiado! Por favor!
O personagem puxa uma arma e muda o tom de voz, de choroso passa a valentão.
Candidato
Parado aí! Falei pra não chamar a segurança! Você vai ver com quem está lidando... Vai ver quem eu sou... Vou te mostrar como eu sou bom! Não quer me dar emprego, seu unha-de-fome! Vou te mostrar quem merece esse empreguinho! Eu sou bom, está sabendo?
Personagem volta à voz suplicante, mas fala de modo mecânico.
Candidato
Eu podia estar matando, eu podia estar roubando... Mas estou aqui pedindo a atenção de vocês por um minuto pra conseguir um emprego...
O personagem se encolhe, apreensivo, como se estivesse vendo a aproximação dos seguranças. Ele se protege atrás de alguma coisa (ou se joga no chão). Alguns instantes depois, ele dá dois tiros, espera um pouco, olha um pouco desconfiado e depois volta a posição normal. Guarda a arma e coloca as mãos na cintura (ou nos bolsos ou para trás), pensativo. Ele fica uns segundos em silêncio antes de voltar a falar ao “chefe”.
Candidato
Posso ficar com a vaga para segurança?
